Com o objectivo de prosseguir com a monitorização da tendência epidemiológica das doenças transmissíveis em Macau e de conceber medidas de prevenção e controlo adequadas, os Serviços de Saúde, de acordo com a «Lei de prevenção, controlo e tratamento de doenças transmissíveis» e o «Mecanismo de declaração obrigatória de doenças transmissíveis», exigem que os responsáveis das instituições médicas públicas ou privadas, os médicos que efectuem o primeiro diagnóstico, os médicos que preencham o certificado de óbito e os técnicos de diagnóstico laboratorial, devem declarar, no prazo legal, os casos de doenças transmissíveis aos Serviços de Saúde. Actualmente, existem 45 tipos de doenças em Macau que necessitam de declaração obrigatória. Os Serviços de Saúde efectuam periodicamente a análise e avaliação dos dados declarados, bem como divulgam os dados de monitorização, permitindo ao público conhecer a tendência do desenvolvimento das doenças transmissíveis, aumentando a sua consciência de prevenção de doenças e fazendo uma boa gestão de saúde.
Em Julho de 2026, os Serviços de Saúde registaram um total de 2.936 casos de doenças de declaração obrigatória. As três doenças com maior número de casos foram a gripe (2.457 casos), a infecção por enterovírus (344 casos) e a varicela (32 casos). Em comparação com o mês anterior, as doenças cujo número de casos registados com alterações mais significativas foram a infecção por Salmonella (aumento de 58,8%), a escarlatina (diminuição de 54,8%) e o norovírus (diminuição de 92,3%).
Infecção por Salmonella
Em Julho, foram notificados um total de 27 casos de infecção por Salmonella, um aumento de cerca de 1,5 vezes em relação aos 11 casos registados no período homólogo do ano anterior e um aumento de 58,8% em relação aos 17 casos registados no mês anterior.
A infecção por Salmonella é uma enterite causada pela Salmonella não tifóide. Pode ocorrer durante todo o ano, mas é mais prevalente de Julho a Outubro devido ao clima mais quente. Pessoas de todas as idades são susceptíveis à infecção, mas é mais comum em bebés e crianças com idade inferior a cinco anos. As vias de transmissão incluem a ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes de animais ou humanos, como ovos/produtos à base de ovos crus ou malcozinhados, leite/produtos lácteos e carne/produtos à base de carne. A transmissão de pessoa para pessoa também pode ocorrer por via fecal-oral.
O período de incubação da infecção por Salmonella é de 6 a 72 horas, geralmente de 12 a 36 horas; o período infeccioso é geralmente de vários dias a várias semanas, mas raramente pode durar os vários meses. Os sintomas manifestam-se por gastroenterite aguda, incluindo náuseas, vómitos, diarreia, febre e cólicas abdominais e outros sintomas. O curso da doença dura geralmente quatro a sete dias. Os bebés, os idosos ou as pessoas com o sistema imunitário enfraquecido apresentam frequentemente quadros mais graves da doença, o que pode levar a outras complicações graves devido à bacteremia, exigindo tratamento com antibióticos prescrito por um médico.
Escarlatina
Em Julho, foram notificados um total de 14 casos de escarlatina, uma diminuição de 48,1% em relação aos 27 casos registados no mesmo mês do ano anterior e uma redução de 54,8% em relação aos 31 casos registados no mês anterior.
A escarlatina é uma doença respiratória aguda transmissível causada pela bactéria Estreptococo beta hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes). Geralmente, o período de incubação é de um a três dias. Esta doença é transmitida, principalmente, através do contacto com secreções orais e nasofaríngeas e gotículas de pessoas infectadas pela bactéria. Uma vez que esteja infectado, o doente fica numa situação de elevado contágio, quer antes, quer depois da manifestação da doença. As pessoas podem contrair a escarlatina em qualquer período do ano e o pico desta doença ocorre geralmente na Primavera e no Inverno e infecta principalmente crianças entre os dois e os oito anos de idade. Os principais sintomas são febre, dor de garganta, língua com aspecto de um morango e erupção cutânea. A erupção cutânea aparece geralmente no pescoço, no peito, nas axilas, nos cotovelos, na virilha e na face interna das coxas. A erupção cutânea típica da escarlatina não aparece no rosto e a pele da região afectada geralmente torna-se muito áspera. Após o desaparecimento da erupção cutânea, pode ocorrer descamação da pele. O tratamento eficaz pode ser conseguido através da administração de antibióticos. Sem tratamento adequado esta doença pode causar complicações, como otite média, febre reumática, doença renal, pneumonia, linfadenite, artrite, etc. Não existe vacina contra a escarlatina.
Norovírus (Vírus Norwalk)
Em Julho, foi notificado um caso da infecção por norovírus, uma diminuição de 92,3% em comparação com os 13 casos registados no mesmo mês do ano anterior e com os 13 casos registados no mês anterior.
A infecção por norovírus é uma doença transmissível do tracto gastrointestinal, causada por norovírus, transmitida principalmente pela ingestão de alimentos ou água contaminados, pelo contacto com vómitos e/ou excrementos dos doentes e pelo contacto com os materiais contaminados, podendo também ser transmitida por gotículas de saliva no ar. Este vírus pode causar intoxicação alimentar ou gastroenterite, sendo o principal agente patogénico da gastroenterite não bacteriana e pode causar surtos de gastroenterite em lares de idosos, escolas e outros estabelecimentos. Todos os grupos etários estão susceptíveis de infecção e o Inverno é a estação de maior incidência.
Febre de dengue e febre chikungunya
Em Julho, foram notificados um total de três casos de dengue e não foi registado nenhum caso de febre chikungunya.
Tanto a dengue como a febre chikungunya são doenças infecciosas transmitidas pelos mosquitos Aedes albopictus ou Aedes aegypti, com sintomas, vias de transmissão e métodos de prevenção e controlo semelhantes. O período de incubação da dengue é normalmente de quatro a sete dias, sendo os sintomas febre, dores de cabeça, dores retro-orbitais, dores musculares e articulares, bem como erupções cutâneas. Os casos graves podem incluir hemorragia e choque. O período de incubação da febre chikungunya é normalmente de três a sete dias, com sintomas caracterizados sobretudo por febre, dores articulares intensas e erupção cutânea. Os sintomas são, normalmente, ligeiros e duram vários dias, sendo os casos graves e as mortes raros. No entanto, a dor articular pode ser suficientemente grave para limitar as actividades diárias e persistir durante semanas ou meses.
Para reduzir o risco de contrair a gripe e outras doenças transmissíveis, os Serviços de Saúde apelam que os residentes consultem as seguintes infografias para reforçar as medidas de protecção individual.