O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, ao discursar, na recepção oferecida pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), ao fim de tarde do dia 20 de Abril (hora de Portugal), disse que o governo está determinado em impulsionar reformas internas de alta qualidade, numa abertura de alta qualidade ao exterior e em criar um ambiente empresarial internacionalizado, baseado no Estado de Direito, estável e previsível. Sublinhou que o governo de Macau está cada vez mais empenhado em potenciar o papel singular de Macau como ponte e como «interlocutor de precisão», reforçando o aperfeiçoamento dos diversos mecanismos e plataformas de cooperação sino-lusófona, para Macau se tornar numa plataforma importante para toda a comunidade internacional, especialmente os países de língua portuguesa, que deseje embarcar no «comboio expresso do desenvolvimento chinês» e assim contribuir para a cooperação mutuamente benéfica de nível mais elevado.
Os convidados de honra presentes na recepção incluem o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, o embaixador da China em Portugal, Yang Yirui, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, e a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak.
Sam Hou Fai indicou que, no ano passado, o Presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro português Luís Montenegro deram orientações estratégicas importantes para impulsionar a convergência das estratégias de desenvolvimento e promover a cooperação pragmática em áreas prioritárias, na nova era. Lembrou que, há duas semanas, numa visita à China, o presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar-Branco, teve um encontro com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, com quem teve uma profunda troca de opiniões sobre o reforço do intercâmbio amigável entre os órgãos legislativos dos dois países. Acrescentou que a sua visita a Portugal é, simultaneamente, um meio simbólico eficaz para transmitir o legado de tradição de amizade e uma iniciativa destinada a avançar na concretização dos importantes consensos alcançados entre os dirigentes dos dois países, destinando-se também a aprofundar de forma abrangente a cooperação entre Macau e Portugal em todas as áreas. Referiu que, através dos encontros com dirigentes dos poderes executivo, legislativo e judicial, se pretende impulsionar a cooperação entre Macau e Portugal em todas as áreas para um patamar mais elevado, tanto a nível oficial como da sociedade civil.
Explicou que o «15.º Plano Quinquenal para o Desenvolvimento Económico e Social Nacional da República Popular da China» enfatiza que a China continuará a seguir uma estratégia de abertura baseada na cooperação mutuamente benéfica, a promover reformas e o crescimento através da abertura, e a partilhar oportunidades com todos os países do mundo para se obter um desenvolvimento conjunto, o que cria um amplo horizonte e imensas oportunidades para a cooperação sino-lusófona. Indicou que, actualmente, Macau está a alinhar-se estreitamente com o «15.º Plano Quinquenal» nacional ao elaborar o seu 3.º Plano Quinquenal. Adiantou que Macau se vai empenhar em impulsionar reformas internas de alta qualidade e numa abertura de alta qualidade ao exterior, e em potenciar o papel singular de Macau como ponte e como «interlocutor de precisão».
O Chefe do Executivo referiu que este ano marca o 27.º aniversário do regresso de Macau à Pátria. E frisou que, nestes 27 anos, Macau tem aplicado com sucesso o grande princípio de «um país, dois sistemas», alcançando conquistas notáveis reconhecidas mundialmente. Reiterou que Macau manteve a prosperidade e a estabilidade duradouras, que a cultura diversificada cintila como uma jóia rara e é um local de fortuna onde todos os sectores registaram progressos abrangentes. Adiantou que a economia de Macau apresenta uma tendência positiva de recuperação e desenvolvimento; a vitalidade continua a aumentar em sectores como o turismo e lazer integrados, as finanças modernas, as exposições e convenções e o comércio; a estratégia de «Macau + Hengqin» é cada vez mais aceite e está enraizada na população e o desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin tem um potencial ilimitado. Disse ainda que o governo da RAEM está a avançar prioritariamente com quatro grandes projectos de infra-estrutura, a acelerar a criação do Fundo de Orientação Governamental e a promover o agrupamento e desenvolvimento de indústrias com características distintivas, e que o desenvolvimento económico e social de Macau está gradualmente a entrar numa nova fase de crescimento de alta qualidade.
Adiantou que esta visita integra empresários provenientes do Interior da China, de Macau e da Zona de Cooperação em Hengqin, que representam sectores como a alta tecnologia, a big health e a construção de infra-estruturas. Disse esperar que seja aproveitada esta valiosa oportunidade para reforçar o intercâmbio, estabelecer contactos e explorar conjuntamente novas oportunidades de cooperação nas áreas da economia digital, economia do mar, tecnologia financeira, sustentabilidade ambiental e comércio electrónico transfronteiriço, semeando as bases sólidas para uma colaboração real de benefício mútuo. Sam Hou Fai aproveitou ainda a oportunidade para convidar as empresas portuguesas a visitar o Interior da China, Macau e Hengqin, a descobrir as oportunidades existentes na China, a investir em Macau e Hengqin e a construirmos, juntos, um futuro promissor.
Por sua vez, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, no uso da palavra, indicou existirem laços profundos e uma amizade tradicional entre Macau e Portugal, sendo a China e Portugal parceiros amigos de longa data, e a China ocupa uma posição de extrema importância nas relações externas portuguesas. Para ele, o Chefe do Executivo ao escolher Portugal como primeiro destino de visita ao estrangeiro, tem um significado simbólico, destacando a importância de Portugal para Macau, e, por seu lado, Portugal também considera Macau uma região de grande importância. Disse que, após o regresso de Macau à China, as duas partes continuam a manter contactos estreitos, contribuindo ainda para impulsionar as relações entre a China e Portugal rumo a novos avanços. Indicou que a amizade entre Macau e Portugal tem origem no povo, sendo a comunidade portuguesa um pilar fundamental nessas relações, contribuindo significativamente para os dois territórios nos domínios económico, cultural, do ensino superior, jurídico e do intercâmbio académico.
Adiantou que, olhando para o futuro, Portugal pretende continuar a reforçar e a aprofundar a cooperação com Macau, construindo com o Governo da RAEM uma relação ainda mais estreita. Sublinhou que a parte portuguesa deseja colaborar com Macau na criação conjunta de novas oportunidades, promovendo ainda mais a cooperação em diversos domínios, com o objectivo de alcançar benefícios mútuos e resultados vantajosos para ambas as partes. Afirmou que o papel de Macau enquanto ponte entre a China e os países de língua portuguesa é de extrema importância. E disse acreditar que a visita do Governo da RAEM a Portugal conseguirá resultados frutíferos, levará as relações bilaterais a um novo patamar, abrindo novos espaços de desenvolvimento.
Durante a recepção, Sam Hou Fai e os convidados principais testemunharam a assinatura de 18 acordos de cooperação, que envolvem domínios como a plataforma sino-portuguesa, comércio e economia, indústria de tecnologia de ponta, turismo, educação, big health, bem como a indústria de convenções, exposições e comércio, e de cultura e desporto.
Estiveram presentes na recepção cerca de 400 convidados, incluindo os membros da delegação do Governo da RAEM, os representantes da delegação empresarial de Macau que acompanham a visita do Chefe do Executivo, os representantes da Embaixada da República Popular da China em Portugal, e personalidades de diversos sectores da sociedade portuguesa.