Com o objectivo de prosseguir com a monitorização da tendência epidemiológica das doenças transmissíveis em Macau e de conceber medidas de prevenção e controlo adequadas, os Serviços de Saúde, de acordo com a «Lei de prevenção, controlo e tratamento de doenças transmissíveis» e o «Mecanismo de declaração obrigatória de doenças transmissíveis», exigem que os responsáveis das instituições médicas públicas ou privadas, os médicos que efectuem o primeiro diagnóstico, os médicos que preencham o certificado de óbito e os técnicos de diagnóstico laboratorial, devem declarar, no prazo legal, os casos de doenças transmissíveis aos Serviços de Saúde. Actualmente, existem 45 tipos de doenças em Macau que necessitam de declaração obrigatória. Os Serviços de Saúde efectuam periodicamente a análise e avaliação dos dados declarados, bem como divulgam os dados de monitorização, permitindo ao público conhecer a tendência do desenvolvimento das doenças transmissíveis, aumentando a sua consciência de prevenção de doenças e fazendo uma boa gestão de saúde.
Em Março de 2026, os Serviços de Saúde registaram um total de 1.998 casos de doenças de declaração obrigatória. As três doenças com maior número de casos foram a gripe (1.785 casos), o norovírus (61 casos), e a infecção por enterovírus (50 casos). Em comparação com o mês anterior, as doenças cujo número de casos registados com alterações mais significativas foram a gripe (aumento de cerca de 1,9 vezes), a infecção por enterovírus (aumento de cerca de 1,6 vezes) e o norovírus (diminuição de 63,3%).
Gripe
Em Março, foram registados 1.785 casos de gripe, o que correspondeu a um aumento de cerca de 4,6 vezes em relação aos 320 casos registados no mês homólogo do ano anterior e a uma subida de cerca de 1,9 vezes em relação aos 618 casos registados no mês anterior.
A gripe é uma doença respiratória aguda altamente contagiosa. A sua incidência é predominante no Inverno e na Primavera (de Janeiro a Março), bem como no Verão (de Junho a Agosto). Em Macau, os tipos de gripe mais frequentes são a gripe A (H1N1 e H3N2) e a gripe B. A transmissão principal do vírus influenza é efectuada pelo ar, pelas gotículas de saliva ou pelo contacto directo com as secreções orais e nasais dos doentes. Os sintomas comuns incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, corrimento nasal, dor de garganta e tosse. Embora a maioria dos doentes possa recuperar sem tratamento, os idosos, os bebés, as crianças e os doentes com doenças crónicas podem sofrer de complicações como bronquite, pneumonia, entre outras. A vacinação contra a gripe sazonal constitui o método mais eficaz de prevenção.
Infecção por enterovírus
Em Março, foram registados 50 casos de infecção por enterovírus, o que correspondeu a um aumento de 66,7% em relação aos 30 casos registados no período homólogo do ano anterior e a um aumento de cerca de 1,6 vezes em relação aos 19 casos registados no mês anterior.
A infecção por enterovírus pode ser causada pelo vírus Coxsackie, echovírus e enterovírus 71. A infecção pelo enterovírus ocorre durante o ano inteiro, a nível mundial, mas é no Verão que tem maior incidência. Este vírus é a fonte de várias doenças, sendo as mais ligeiras e frequentes, tais como a síndrome mão-pé-boca e a herpangina e, o mesmo também pode causar complicações graves, como miocardite e meningite asséptica.
A infecção por enterovírus ocorre na maioria dos casos em crianças com idade inferior a cinco anos. O período de incubação varia de três a sete dias, e a transmissão faz-se por contacto directo com fezes dos doentes infectados, gotículas de saliva ou com materiais contaminados. Devido ao contacto próximo das crianças nas creches e jardins-de-infância, especialmente, nas actividades de jogos, é fácil ocorrer um surto da síndrome mão-pé-boca, que é uma doença altamente contagiosa. No período inicial aparecem sintomas, tais como, febre, dor de garganta, vesículas pequenas ou pústulas vermelhas que não provocam dores nem comichão nas palmas das mãos, pés e nádegas, e surgem herpes na boca, causando posteriormente úlceras. No período de sete a dez dias, as vesículas e as pústulas vermelhas vão desaparecer gradualmente, e o doente fica curado. A transmissão do enterovírus principia alguns dias antes dos primeiros sintomas surgirem, localizando-se os vírus na garganta e nas fezes e, durante algumas semanas, as fezes do doente podem conter estes vírus.
Rotavírus
Em Março, foram registados 11 casos de infecção por rotavírus, uma redução de 35,3% em relação aos 17 casos registados no mês homólogo do ano passado, uma redução de 63,3% em relação aos 30 casos do mês anterior.
A gastroenterite por rotavírus é uma doença infecciosa gastrointestinal aguda causada pelo rotavírus. A transmissão ocorre principalmente através da ingestão de alimentos e água contaminados com o vírus, podendo também ocorrer através do contacto próximo com os doentes, manipulação de excrementos e vómitos dos doentes e contacto com ambientes e objectos contaminados. Os principais sintomas incluem febre, vómitos, diarreia líquida e dor abdominal. A vacinação oral ou a infecção não conferem imunidade permanente, mas a doença é ligeira quando se contrai novamente. A infecção afecta principalmente crianças e é um dos agentes patogénicos mais comuns que causam diarreia em crianças, sendo o período de incidência mais comum no Outono e no Inverno.
Febre de dengue e febre chikungunya
Em Março, não foi registado nenhum caso de dengue. Foi registado um (1) caso importado de febre chikungunya.
Tanto a dengue como a febre chikungunya são doenças infecciosas transmitidas pelos mosquitos Aedes albopictus ou Aedes aegypti, com sintomas, vias de transmissão e métodos de prevenção e controlo semelhantes. O período de incubação da dengue é normalmente de quatro a sete dias, sendo os sintomas febre, dores de cabeça, dores retro-orbitais, dores musculares e articulares, bem como erupções cutâneas. Os casos graves podem incluir hemorragia e choque. O período de incubação da febre chikungunya é normalmente de três a sete dias, com sintomas caracterizados sobretudo por febre, dores articulares intensas e erupção cutânea. Os sintomas são, normalmente, ligeiros e duram vários dias, sendo os casos graves e as mortes raros. No entanto, a dor articular pode ser suficientemente grave para limitar as actividades diárias e persistir durante semanas ou meses.
Para reduzir o risco de contrair a gripe e outras doenças transmissíveis, os Serviços de Saúde apelam que os residentes consultem as seguintes infografias para reforçar as medidas de protecção individual.