Esboço do projecto do pólo do Parque Industrial localizado na Avenida Wai Long (Foto: DSEDT)
O reitor da UM, Yonghua Song, apresenta o projecto do campus da universidade na Zona de Cooperação aquando do início da construção em Dezembro de 2025 (Foto: Universidade de Macau)
O novo terminal de carga visa promover a integração logística entre Macau e Hengqin (Foto: CAM)
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Texto Nelson Moura
Além da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) delineou três outros projectos relevantes – a serem construídos nos próximos anos – para a diversificação adequada da economia de Macau.
Esboço do projecto do pólo do Parque Industrial localizado na Avenida Wai Long (Foto: DSEDT)
Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau
O Governo da RAEM está a avançar com o planeamento do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, um projecto que visa implementar o espírito orientador do Estado no apoio à inovação científica e tecnológica e ao desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau.
Este parque está a ser concebido sob o princípio de “preponderância das necessidades das empresas e do mercado” para atrair e albergar entidades focadas em inovação de nível internacional. O foco será em quatro áreas prioritárias: circuitos integrados, biomedicina, tecnologia digital e tecnologia aeroespacial.
O parque irá concentrar-se na investigação e desenvolvimento de ponta, aproveitando as características de Macau e as vantagens institucionais do princípio “um país, dois sistemas”. O objectivo é formar, em sinergia com Hengqin, o modelo de “Investigação e Desenvolvimento em Macau + Transformação em Hengqin”, promovendo um desenvolvimento complementar para evitar a duplicação de estruturas. Além disso, Macau utilizará a sua ligação única aos países de língua portuguesa para criar uma base de inovação científica e tecnológica diferenciada e se integrar no corredor internacional de inovação da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.
Foi criado um grupo de trabalho interdepartamental para a construção do Parque Industrial, com o objectivo de desenvolver os trabalhos do seu planeamento e construção. Foi encomendada a uma equipa profissional a realização de um estudo preliminar, tendo sido efectuadas pesquisas sobre vários parques científicos e tecnológicos no Interior da China e no estrangeiro, no sentido de proceder a uma análise profunda sobre o posicionamento do projecto, as políticas de apoio e as infra-estruturas, bem como auscultar as opiniões dos diversos sectores da sociedade.
De acordo com o texto de apresentação do projecto, o Parque Industrial será composto por duas zonas centrais: um terreno da Avenida Wai Long e a parcela oeste da Zona E1 dos Novos Aterros Urbanos. O projecto tem como posicionamentos principais a “Base destinada às empresas tecnológicas de alta qualidade do Interior da China que pretendem ir para o exterior”, o “Posto de serviços para os projectos tecnológicos de ponta do estrangeiro” e a “Base de indústria-universidade-investigação de Macau”, criando uma comunidade industrial científica e tecnológica de nível internacional que integre inovação e investigação, produção e ensaio, intercâmbio académico e experiências espaciais.
O relatório das Linhas de Acção Governativa indica que será efectuado um bom planeamento do desenvolvimento do Parque Industrial, procedendo a consultas e estudos preliminares, tais como a definição das necessidades da infra-estrutura, do posicionamento industrial, da disposição funcional e do modelo de desenvolvimento. Serão também acelerados os trabalhos subsequentes de elaboração orçamental e o lançamento de concursos de obras, a fim de proceder à contratação de empresas de gestão de projectos e ao concurso de concepção e construção, indica o mesmo documento.
Antes da conclusão da construção e operação do Parque Industrial, será criado o Centro Internacional da Indústria de Ciências e Tecnologias de Macau, no sentido de potencializar os recursos existentes para a disponibilização de suporte espacial, atraindo a instalação e desenvolvimento de projectos de empresas tecnológicas nas áreas de circuitos integrados, inteligência artificial e tecnologia digital, entre outras.
O reitor da UM, Yonghua Song, apresenta o projecto do campus da universidade na Zona de Cooperação aquando do início da construção em Dezembro de 2025 (Foto: Universidade de Macau)
Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin
O Governo da RAEM está a avançar com a construção da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, localizada na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Este projecto visa primordialmente a expansão do espaço de ensino das instituições de ensino superior da RAEM, nomeadamente da Universidade de Macau (UM), da Universidade Politécnica de Macau (UPM) e da Universidade de Turismo de Macau (UTM), bem como o fomento da cooperação internacional na área académica.
A Cidade Universitária funcionará sob o modelo de “uma universidade, duas zonas”, estabelecendo um sistema internacional de alta qualidade, incentivando as universidades de Macau a articularem-se com instituições de ensino superior estrangeiras de renome para criar programas de formação conjunta e colégios conjuntos, com enfoque no desenvolvimento de cursos de ciência, engenharia e interdisciplinares. O objectivo é atrair e formar quadros qualificados, aprofundando a cooperação com o tecido empresarial.
Em Novembro, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, revelou que a Cidade Universitária poderá recrutar até 20 mil estudantes. A primeira fase do projecto, com início previsto para Setembro de 2026, poderá acolher até 1200 alunos, com predominância para o nível de pós-graduação. Já foi iniciado o projecto de transformação do complexo “Dezhi Plaza” em Hengqin de forma a promover a concretização da primeira fase do modelo de extensão pedagógica das três universidades públicas de Macau. As fases subsequentes consistem na construção, na Zona de Cooperação, do campus da UM e, posteriormente, numa terceira fase, dos campus da UPM e da UTM.
Nesse sentido, já se deu início às obras de construção do campus da UM na Zona de Cooperação, com conclusão prevista para o quarto trimestre de 2028, bem como ao estudo e planeamento sobre os campus da UPM e da UTM, cuja construção deve estar terminada em 2030.
A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) também tem promovido o intercâmbio inter-regional através da organização de visitas de estudo de alunos de Macau à Zona de Cooperação, bem como a formação de docentes de Macau que leccionam na escola para estudantes da RAEM em Hengqin. Além disso, a DSEDJ incentiva a participação de alunos em actividades de visita de estudo e prática profissional nas empresas e bases de inovação e empreendedorismo nas cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na Zona de Cooperação.
O novo terminal de carga visa promover a integração logística entre Macau e Hengqin (Foto: CAM)
Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau
O Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau será localizado na margem oeste do Rio das Pérolas. Foram concluídos os trabalhos de sondagem geológica e de elaboração do projecto sobre o terminal de carga “upstream” em Hengqin, tendo-se já dado início à obra de tratamento da fundação em solos brandos e à construção das estruturas principais – o lançamento da primeira pedra decorreu a 28 de Outubro.
Este projecto-chave – com capacidade anual estimada para 300 mil toneladas de carga aérea – visa promover a integração logística e de transporte entre Macau e Hengqin, com a conclusão das obras prevista para o final de 2026 e o início das operações esperado para o primeiro semestre de 2027.
Paralelamente, as obras do aterro e ampliação do Aeroporto Internacional de Macau estão a decorrer a bom ritmo desde o começo da sua construção, em Abril de 2025. Foi também elaborada a “Lei da actividade de aviação civil”, a qual contribui para atrair mais empresas aéreas reputadas e aumentar a competitividade do Aeroporto Internacional de Macau como um “hub” aéreo regional.
Segundo o Governo da RAEM, será dada prioridade à construção da estrutura principal do terminal de carga “upstream” em Hengqin, criando um “sistema intermodal eficiente entre o Aeroporto Internacional de Macau e o terminal de carga em Hengqin”, reforçando a competitividade de Macau na rede logística internacional.
O novo terminal de carga deverá permitir melhorar a eficiência do despacho aduaneiro, reduzir custos e fornecer apoio logístico aéreo eficiente para sectores como o comércio electrónico transfronteiriço e a manufactura avançada, ao mesmo tempo que reforça o canal logístico aéreo entre a China e os países de língua portuguesa.
O terminal ocupará uma área total de 66.700 metros quadrados, com uma área construída de aproximadamente 97.600 metros quadrados, que inclui um armazém logístico e um edifício administrativo. Uma inovação fundamental do projecto é a introdução da extensão das funções de inspecção de segurança, montagem e distribuição de carga aérea do Aeroporto Internacional de Macau para Hengqin, criando uma conexão sem barreiras – apoiada por medidas de supervisão alfandegária e de imigração facilitada – que permite a rápida interconexão de importações e exportações entre Macau e Guangdong.