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Ano do Cavalo de Fogo: tempos de vitalidade e mudança

Revista Macau
Edição nº 108
  • O Ano do Cavalo arranca no dia 17 de Fevereiro (Foto: Direitos Reservados)

  • O Cavalo é o sétimo animal da ordem tradicional do zodíaco chinês (Foto: Direitos Reservados)

  • Mestre Sam Pao (Foto: Direitos Reservados)

  • Mestre Raymond Lo (Foto: Direitos Reservados)

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Ano Novo Chinês do Cavalo


O próximo ano chinês, conhecido como “bing wu” – “Cavalo de Fogo” –, tem início a 17 de Fevereiro. Segundo mestres de feng shui consultados pela Revista Macau, este será um período marcado por uma energia muito intensa, associada ao elemento Fogo. Tal simboliza um aumento da vitalidade e do dinamismo, mas acarreta, simultaneamente, riscos de oscilações emocionais e acções impulsivas, avisam

Texto Viviana Chan

Com o Ano da Serpente nos seus silvos finais, aproxima-se o início de um novo ciclo lunar chinês, dedicado ao Cavalo, o sétimo animal da ordem tradicional do zodíaco chinês. No seu todo, o simbolismo equestre é amplo e complexo, articulando vitalidade, lealdade e prestígio, mas também um potencial para acções precipitadas.

De acordo com as teorias de feng shui, o ano chinês prestes a começar é conhecido como “bing wu” (“Cavalo de Fogo”): a parte “bing” representa o elemento Fogo de tipo Yang, sendo que a parte “wu” está associada ao Cavalo, também ele ligado ao Fogo – cria-se assim uma configuração de “duplo Fogo”. Por isso, este tipo de ano é frequentemente descrito como uma fase em que a energia se projecta com a intensidade do sol do meio-dia – vibrante, ardente e impossível de ignorar.

Segundo a astrologia chinesa, cada ano chinês tem início na segunda lua nova após o solstício de Inverno: o próximo ano arranca no dia 17 de Fevereiro. A efeméride é assinalada em Macau com três feriados consecutivos (17 a 19 de Fevereiro), correspondentes aos três primeiros dias do ano novo chinês.

No feng shui, o tempo é expresso como um Grande Ciclo de 180 anos lunares chineses, subdividido em três Eras de 60 anos cada – superior, média e inferior –, também conhecidas como Grandes Períodos ou Ciclos. Cada Era ou Ciclo completo do zodíaco chinês é dividido em subciclos de 12 anos, ligados aos 12 animais do zodíaco (relacionados com os denominados “ramos terrestres”).

Existe um segundo conjunto de subciclos, de dez anos cada, referente aos dez “troncos celestiais” do zodíaco. Cada tronco celestial corresponde a um dos cinco elementos da mitologia chinesa (Água, Madeira, Fogo, Terra e Metal – este último também conhecido como Ouro), associado a uma vertente Yin ou Yang, as duas forças complementares que, de acordo com os mandamentos do feng shui, regem todos os aspectos e fenómenos do mundo.

Sobrepondo o ciclo de 12 anos ligado aos “ramos terrestres” ao de dez anos associado aos “troncos celestiais”, tal significa que cada combinação individual “ramo terrestre”-“tronco celestial” – por exemplo, Serpente com Madeira Yin, o ano prestes a terminar – só se repete a cada 60 anos. O último Ano do Cavalo de Fogo foi em 1966.

A todo o galope

O mestre local de feng shui Sam Pao explica à Revista Macau que o Cavalo assume vários significados na cultura tradicional chinesa. O animal é frequentemente associado à força vital e à liberdade, simbolizando movimento, expansão e determinação – valores reflectidos na expressão “espírito do Dragão e do Cavalo”, um desejo tradicionalmente endereçado a outros durante o período do ano novo chinês, como formulação de votos de vitalidade, saúde e energia, bebendo da força mítica do Dragão e do vigor do Cavalo.

Paralelamente, o Cavalo é visto como símbolo de lealdade e de dedicação. Isso mesmo surge ilustrado em diversas lendas e contos tradicionais chineses, em que o animal, através das suas acções, coloca o seu dono fora de perigo.

Na mitologia chinesa, a figura equestre remete ainda para sucesso e reconhecimento. A imagem do “cavalo de longo alcance”, capaz de percorrer grandes distâncias, associa o animal a talento notável que, eventualmente, encontra valorização.

No entanto, o mestre Sam Pao recorda que esta energia também envolve um lado mais impetuoso: a natureza vigorosa do Cavalo pode traduzir-se em impulsividade, exigindo contenção.

Mestre Sam Pao (Foto: Direitos Reservados)
Mestre Sam Pao (Foto: Direitos Reservados)

Sobre a personalidade dos indivíduos do signo Cavalo – aqueles nascidos, por exemplo, em 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002 e 2014 –, Sam Pao refere que são frequentemente descritos como pessoas enérgicas e dotadas de grande iniciativa. Pensam depressa, reagem com rapidez e conseguem identificar oportunidades e transformá-las em acção quase de imediato, características que os tornam particularmente aptos para funções pioneiras ou desafios profissionais exigentes. “Entram em acção com forte impulso, gostam de assumir riscos e não receiam enfrentar o desconhecido, procurando sempre superarem-se em vez de se acomodarem”, afirma.

O mestre acrescenta que “os nativos de Cavalo costumam ser sociáveis e optimistas, bons comunicadores e capazes de conquistar rapidamente a confiança dos outros, possuindo considerável carisma”. São também marcadamente independentes, aspiram a uma vida livre de constrangimentos e têm elevada confiança nas suas próprias capacidades, revelando resistência a regras demasiado rígidas.

Contudo, o excesso de entusiasmo pode gerar impaciência ou irritabilidade, e tarefas repetitivas tendem a aborrecer os nascidos sob a égide de Cavalo. Nalguns casos, a autoconfiança pode tornar-se excessiva, levando a uma postura mais arrogante e à dificuldade em aceitar conselhos. Por isso, apesar da energia e da coragem, é necessário equilibrarem essas qualidades com doses de serenidade e abertura, aconselha Sam Pao.

Perigo de ignição

Segundo o mestre, as leituras zodiacais indicam que o ano chinês que se aproxima será “extremamente carregado de energia proveniente do elemento Fogo”, já que a combinação “bing wu” representa a plenitude deste elemento e cria uma configuração de “duplo fogo”, sinal de intensidade e de convergência energética.

Essa força poderá tornar mais fácil o desencadear de emoções fortes e de novas situações. “Haverá quem aja por impulso e isso pode gerar discussões. Até no ambiente de trabalho, os conflitos poderão surgir com maior facilidade”, observa.

O especialista refere que, além de aumentarem o potencial de atrito, os anos de duplo Fogo tendem a provocar mudanças rápidas em vários sectores. Sam Pao cita o desenvolvimento tecnológico como exemplo: “A aplicação da inteligência artificial está já muito avançada e no futuro poderá originar transformações de grande escala.”

O especialista acredita ainda que a energia do ano incentivará uma maior concretização de iniciativas pessoais. Tal pode levar ao avanço, de forma súbita, de projectos individuais que vinham a ser adiados.

Por sua vez, o mestre de feng shui Raymond Lo Hang Lap, de Hong Kong, explica que o Fogo ligado a “bing” é comparável ao sol, simbolizando “energia positiva” e uma força naturalmente apreciada.

“Os nativos do elemento Fogo ‘bing’ gostam normalmente de fazer amizades, são calorosos e têm forte capacidade de expressão”, refere. Tal traduz-se num estado de espírito mais aberto, tendo como lado adverso comportamentos “pouco ponderados, demasiado impetuosos ou impulsivos”.

O mestre acrescenta que, do ponto de vista da metafísica chinesa, um padrão dominado pelo Fogo pode aumentar riscos de acidentes associados a este elemento e ao “Céu”, como explosões, incêndios ou incidentes aéreos. Paralelamente, a ausência do elemento Água dificulta o equilíbrio: “Quando o desequilíbrio é extremo, surgem alterações climáticas muito acentuadas, com maior incidência de desastres naturais, como tufões.”

Mestre Raymond Lo (Foto: Direitos Reservados)
Mestre Raymond Lo (Foto: Direitos Reservados)

Raymond Lo sublinha ainda que o Fogo “bing” se relaciona com a energia nuclear, bem como com o coração e o sistema circulatório humanos. O mestre alerta para a necessidade de atenção redobrada à segurança nuclear e às doenças cardiovasculares ou inflamatórias. Como o Fogo domina o Metal – elemento que representa o sistema respiratório –, o excesso de Fogo pode favorecer o aumento de gripes e outras infecções respiratórias, avisa.

Para evitar conflitos resultantes do excesso de energia ígnea, Sam Pao recomenda a aplicação dos princípios de geração dos cinco elementos, visando harmonizar o ambiente. “O Fogo gera a Terra e a Terra gera o Metal”, explica, sugerindo que a introdução de Metal no dia-a-dia pode criar uma atmosfera mais favorável. Entre as práticas indicadas, estão a presença de “mais utensílios metálicos no quotidiano, adquirir peças grandes de metal para a casa ou usar acessórios como colares ou pulseiras de platina”.

O mestre adverte igualmente que, nos períodos em que a energia do Fogo atinge o seu auge, as pessoas podem tornar-se mais impacientes, sendo aconselhável evitar mudanças de casa, inaugurações ou a assinatura de contratos importantes, tudo para minimizar o risco de erros ou confusões. E esclarece: “Para assuntos importantes, o melhor é evitar o período entre as 11h00 e as 13h00, conhecido no zodíaco chinês como ‘hora do Cavalo’.”

Na organização doméstica, recomenda-se o recurso a cores suaves e frias – como acessórios decorativos em azul-claro ou pinturas de paisagens –, para criar uma sensação visual de frescura e favorecer um ambiente estável e tranquilo.

Economia a bom ritmo

O mestre Raymond Lo olha para o próximo ano chinês com uma leitura optimista do zodíaco no que toca ao desempenho económico. “Os chineses gostam do Fogo e da cor vermelha. Festas, banquetes e as decorações de ano novo usam sempre o vermelho, que transmite confiança. Isso anima a economia e faz subir as bolsas.”

O especialista acredita que os sectores ligados aos elementos Água, Metal e Madeira vão beneficiar de vantagens no novo ciclo. Sobre as indústrias ligadas à Água, explica: “Para a Água, o Fogo é riqueza. Água com Fogo significa fortuna.” Assim, transportes, navegação marítima e indústrias ligadas a operações aquáticas deverão encontrar condições favoráveis durante o ano.

Por outro lado, Raymond Lo lembra o princípio tradicional de que “o Fogo dá forma ao Metal”. Isso deve reflectir-se positivamente nos sectores das finanças, alta tecnologia, produção automóvel e indústria pesada. Embora o Fogo possa “dominar o Metal, criando dificuldades, esse mesmo processo funciona como refinamento e crescimento”, explica o mestre.

Os sectores associados ao elemento Madeira também devem ganhar novo impulso durante o Ano do Cavalo de Fogo, devido ao princípio de que “a Madeira alimenta o Fogo”. Moda, ambiente, imprensa e bens essenciais inserem-se neste conjunto e deverão auferir de maior dinamismo.

Já os sectores do elemento Fogo poderão enfrentar maior competição. “Quando o Fogo encontra Fogo, a rivalidade intensifica-se”, nota Raymond Lo. Indústrias associadas à electrónica, energia e ao petróleo podem, assim, sentir pressões competitivas adicionais em 2026.


O Cavalo é o sétimo animal da ordem tradicional do zodíaco chinês (Foto: Direitos Reservados)
O Cavalo é o sétimo animal da ordem tradicional do zodíaco chinês (Foto: Direitos Reservados)

Animais zodiacais em alta

O mestre de feng shui Raymond Lo Hang Lap sublinha que o Ano do Cavalo de Fogo traz efeitos distintos para nativos de diferentes signos zodiacais. A Cabra é apontada como o animal mais beneficiado pelo novo ano, graças à sua relação harmoniosa com o Cavalo, o que deverá proporcionar a quem nasceu sob a égide deste signo um ano de maior estabilidade e desenvolvimento.

Os nativos de Tigre e de Cão também devem ser favorecidos, já que integram, com o Cavalo, um dos conjuntos conhecidos como “trios harmoniosos” do zodíaco chinês, associação que tende a trazer fluidez e protecção adicional.

Quanto aos nativos de Cavalo, embora este seja o seu “ben ming nian” – isto é, o ano em que nasceram e em que, segundo a tradição, não contam com uma divindade protectora –, Raymond Lo salienta que a presença de sinais auspiciosos no mapa astral contribuirá para relações equilibradas e um maior número de oportunidades ao longo do ano.

Em contraste, os nativos de Rato devem esperar dificuldades. “O Cavalo e o Rato estão em oposição. A Água do Rato e o Fogo do Cavalo entram em conflito, o que pode trazer situações desfavoráveis”, alerta o mestre. Para reduzir esse impacto, recomenda uma solução tradicional: usar um pendente ou amuleto com o símbolo da Cabra, buscando harmonização.


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