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Formação sobre quatro (pequenas) rodas

Revista Macau
Edição nº 108
  • Os pilotos mais novos ganham experiência na pista de “slalom” antes de participarem em corridas

  • Davina Chu, secretária da direcção da AAMC e responsável pela escola de formação

  • A Academia de Karting de Macau conta actualmente com mais de 30 jovens inscritos

  • O Kartódromo de Coloane acolhe várias provas locais e internacionais

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Formada há pouco mais de dois anos, a Academia de Karting de Macau tem hoje objectivos mais ambiciosos. Com mais de três dezenas de jovens inscritos nas aulas de formação, os dirigentes da Associação Geral de Automóvel Macau-China falam em “progressos” evidentes, mas querem a modalidade ainda mais abrangente

Texto Vítor Rebelo
Fotografia Kam Chak Man

Calçar as luvas e as botas, colocar o capacete, estudar a pista e entrar no kart. A concentração sobe de nível e é dado o sinal de partida. É este o ritual que um número cada vez maior de jovens em Macau tem vindo a praticar, fruto do desenvolvimento do karting na região, com base num projecto de formação lançado há cerca de dois anos.

As corridas de karting, diz quem tem vasta experiência no asfalto, vão muito além da diversão e da adrenalina nas pistas, exigindo concentração e muita disciplina. Além de servirem como uma introdução ao mundo das corridas, oferecendo aos aspirantes a pilotos a oportunidade de desenvolverem habilidades fundamentais que serão essenciais em categorias mais avançadas, é um desporto completo que oferece vantagens em termos de saúde e até para a vida profissional e social.

Apesar de as provas de karting já existirem há vários anos em Macau, com campeonatos realizados em diversas categorias no Kartódromo de Coloane, um projecto dedicado à formação de jovens pilotos, a partir dos escalões etários mais baixos, demorou a aparecer. Em 2023, na sequência de um sonho antigo do actual presidente da Assembleia-Geral da Associação Geral de Automóvel Macau-China (AAMC), Chong Coc Veng, vários entusiastas do karting juntaram-se e formaram uma academia, que conta com mais de três dezenas de jovens, um terço dos quais do sexo feminino.

Os mais velhos – e com alguma experiência – já participam em provas oficiais, enquanto os mais pequenos, ainda na primeira fase de aprendizagem, aguardam para dar o salto para o kartódromo principal, ganhando rotinas na pista de “slalom”, contígua ao circuito.

A Academia de Karting de Macau proporciona cursos de formação de cerca de três meses, com aulas teóricas e práticas, sendo estas levadas a cabo na pista de treino, cuja configuração é alterada regularmente para simular corridas reais. Há mesmo campeonatos no “slalom”, visando estimular os formandos e dar-lhes o indispensável ritmo competitivo.

Foi ali que a Revista Macau pôde constatar, num sábado de manhã, o entusiasmo que reina entre os pilotos mais novos, com idades compreendidas entre os cinco e os nove anos, equipados a rigor e preparados para mais umas sessões de “slalom”.

Entre brincadeiras, companheirismo e momentos de aprendizagem, Dallas Ho, de dez anos, não hesita quando diz “adorar” o karting, realçando que está “bastante contente” com a experiência que a modalidade lhe tem proporcionado e com todos os conhecimentos que tem adquirido. Leo Si e Hayden Xu afinam pelo mesmo diapasão, afirmando que acalentam o sonho de chegar a patamares mais elevados e competir em carros fórmula, inclusivamente no Grande Prémio de Macau.

Davina Chu, secretária da direcção da AAMC e responsável pela escola de formação
Davina Chu, secretária da direcção da AAMC e responsável pela escola de formação

Volvidos pouco mais de dois anos desde o seu lançamento, os responsáveis pela Academia de Karting de Macau dizem que o projecto está no rumo certo, a caminho da consolidação. “A vinda dos jovens para a nossa academia tem sido gradual, com as inscrições a crescerem nos últimos tempos, [algo] a que não é alheio o facto de os pais, principalmente os de etnia chinesa, terem agora uma maior abertura para que os seus filhos pratiquem este desporto, uma vez que antigamente estavam receosos, considerando que havia algum perigo”, explica Davina Chu, responsável pela escola de formação e também secretária da direcção da AAMC.

Preparar para as pistas

Com o trabalho que tem sido realizado, a dirigente acredita que Macau possa ver “crescer o número de talentos” no automobilismo, uma vez que existem alguns pilotos locais com as aptidões necessárias para “poderem ir longe” na modalidade.

Um dos jovens pilotos é Theo Chong, que esteve recentemente na Malásia, a participar no Campeonato do Mundo na categoria de iniciados, destaca Davina Chu. “Foi-nos concedida uma vaga para esta prova e decidimos escolher este jovem de 14 anos, para ganhar experiência e ritmo competitivo”, salienta a responsável.

A prova na capital da Malásia, Kuala Lumpur, decorreu em meados de Novembro, na mesma semana do Grande Prémio de Macau, no qual correram pilotos locais que iniciaram as suas carreiras no karting, como Tiago Rodrigues e Marcus Cheong Man Hei.

Vernice Lao Si Lun, de 15 anos, é outro exemplo de pilotos de Macau a alcançar sucesso além-fronteiras. Após competir em provas de karting no Interior da China, a atleta participou, em meados de Setembro, numa prova do Campeonato Chinês de Fórmula 4, no Circuito Internacional de Chengdu Tianfu.

No que respeita aos escalões mais novos, que na Academia de Karting de Macau começam entre os quatro e os cinco anos, a grande aposta tem sido no “slalom”, que conta com o apoio da Federação Internacional do Automóvel (FIA).

“Quando os alunos são muito pequenos e não andam muito rápido, preferimos que eles aprendam na pista de ‘slalom’ que existe ao lado do circuito, que funciona como zona de treino, com frequentes mudanças dos cones que delimitam o percurso, para que eles aprendam a memorizar o trajecto, a mudar de direcção rapidamente, e desenvolvam reflexos e tempos de reacção diferentes, para apurarem também os níveis de concentração”, explica Davina Chu.

A Academia de Karting de Macau conta actualmente com mais de 30 jovens inscritos
A Academia de Karting de Macau conta actualmente com mais de 30 jovens inscritos

Naquele espaço, que funciona como antecâmara das corridas no kartódromo, não falta competição e são concedidos diplomas. Segundo a mesma responsável, são realizadas “oito provas ao longo do curso, com taças atribuídas aos primeiros classificados, o que é um bom estímulo para os miúdos”. O objectivo, frisa, “é continuar a incentivar as crianças antes de elas começarem a praticar no circuito mais longo e com outras exigências em termos de condução”.

A dirigente salienta que a instrução “é muito importante, pois providencia um processo de formação mais detalhado e especializado” para aspirantes a pilotos de corridas.

Os cursos de karting promovidos pela academia podem ser frequentados por crianças com a idade mínima de quatro anos, mas apenas se tiverem um metro de altura. “Caso contrário, não conseguem conduzir, por não terem os braços e as pernas suficientemente longos para chegarem aos pedais e volante”, observa a responsável, acrescentando que a idade ideal para a prática do karting é por volta dos seis anos de idade.

Além do preço do programa de formação da Academia de Karting de Macau, há ainda despesas relativas ao equipamento necessário, como o capacete, o fato, as botas e as luvas. A dirigente reconhece que a modalidade de karting “não é muito barata, muito devido ao equipamento”.

Mas, salienta, tendo em conta as características do desporto, bem como as perspectivas de futuro para quem almeja uma carreira de piloto de automóveis, “acaba por não ser assim tão caro”.

Divulgação nas escolas

Tal como acontece noutras modalidades, também no karting os dirigentes e monitores salientam que os estabelecimentos de ensino constituem um importante meio para divulgar a modalidade.

Em 2023, por ocasião do 70.º Grande Prémio de Macau, a Escola Pui Cheng contactou a Academia de Karting de Macau para realizar uma experiência no circuito em Coloane, naquela que foi a primeira actividade do projecto da AAMC e que contou com cerca de uma centena de estudantes.

João Afonso, um dos seis monitores da academia, afirma que o director da Escola Pui Cheng “acolheu muito bem a ideia” de encorajar alguns estudantes a juntarem-se à escola de karting. Vários alunos do secundário realizaram testes, tendo sido seleccionados 12, que se juntaram a outros 12, com idades entre os seis e sete anos, que se inscreveram directamente na academia.

“Totalizámos 24, que posteriormente aumentaram para cerca de três dezenas, que é o número que existe actualmente”, conta João Afonso, antigo bi-campeão asiático de karting na categoria sénior e vencedor do campeonato de Macau em dez ocasiões. “O interesse e a adesão continuam a aumentar, correspondendo assim ao que nos propusemos fazer para desenvolver o karting em Macau”, afirma o responsável.

Muitos dos jovens “continuam a progredir” e hoje em dia participam nos campeonatos nas categorias de cadetes (cinco aos sete anos de idade), passando depois para as classes mini (nove aos 12 anos), júnior (12 aos 14 anos) e sénior (acima dos 14 anos). “Estamos muito satisfeitos com a evolução que eles têm tido, o que significa também a evolução da própria academia, o que é muito positivo”, destaca João Afonso, que chegou a partilhar a pista de Macau com Max Verstappen, actual campeão da Fórmula 1.

João Afonso, que dispõe agora de “menos tempo” para as suas próprias corridas, em virtude de estar cada vez mais empenhado em “ensinar os jovens”, não duvida que a modalidade é “uma verdadeira escola” e um passo “muito importante para os miúdos começarem a ganhar ritmo e gosto pelas corridas”.

Através dos cursos que a AAMC proporciona, os candidatos a pilotos ficam a conhecer todos os aspectos ligados ao karting. “Eles no início nem sabiam que o capacete tinha validade, as luvas, as botas, isso foi óptimo, até para a formação deles como pessoas”, refere o monitor. Por outro lado, realça, os pais também se afirmam “satisfeitos”, porque os seus filhos desenvolvem maior concentração graças às exigências do karting, “o que os ajuda a terem um melhor aproveitamento escolar”.

A questão da segurança ocupa um papel prioritário no processo de formação dos jovens. “A segurança é algo de que não abdicamos, até porque, com miúdos tão novos, os pais ficariam preocupados ao ver qualquer acidente”, afirma Davina Chu. “Há uma ambulância em permanência nas instalações do kartódromo, em todos os treinos que realizamos, e temos paramédicos no local, para que os pais fiquem descansados”, adianta.

O equipamento faz também parte dos procedimentos de segurança dos pilotos, que não podem usar roupas ou capacetes que já passaram do prazo de homologação. “Tudo tem de ser homologado pela FIA”, sublinha.

O Kartódromo de Coloane, licenciado pela FIA para receber qualquer competição internacional, “tem sido regularmente melhorado, principalmente em termos de segurança”, diz a responsável da academia.

Dezembro foi um mês cheio de corridas no circuito de Coloane. As provas da ROK Cup Asia Final 2025, para as categorias mini, júnior, sénior e expert, tiveram lugar no início do mês de Dezembro, seguindo-se as corridas da IAME Asia Final, nas classes de cadete, júnior, sénior e master. Os eventos fizeram parte do calendário do Grande Prémio Internacional de Karting de Macau, contando com cerca de 330 pilotos oriundos de 28 países e regiões da Ásia, Europa, Oceânia e América do Norte.


O Kartódromo de Coloane acolhe várias provas locais e internacionais
O Kartódromo de Coloane acolhe várias provas locais e internacionais

Os mini fórmulas que ajudam a lançar carreiras

Os karts são divertidos, mas também muito competitivos, sendo identificados como mini fórmulas, que servem como uma escola para a carreira de piloto. A direcção é directa, exige alguma força e o peso do corpo deve ser suportado pelo banco, no lado exterior de cada curva – truques que se aprendem com a prática.

André Couto é um dos exemplos de sucesso a nível internacional, tendo tido como “trampolim” as provas de karting em Macau. “O karting moldou-me como piloto e adquiri muitas coisas que ainda hoje faço na pista”, salienta.

O piloto local explica que o karting “é uma modalidade que é muito próxima da Fórmula 1, salvo a devida proporção, no sentido em que é muito semelhante nas pistas, na potência do carro, é muito directo”.

As “sensações” e a habilidade de conduzir um kart “são muito parecidas com aquelas que se encontram nos fórmulas”, diz o atleta, razão pela qual “é fundamental para um piloto começar nos karts e ficar lá uns anos, porque se ganham hábitos que se levam para toda a carreira”.

Também Rodolfo Ávila adquiriu experiência graças aos karts em Macau. “Sem dúvida que é a primeira porta de entrada para o automobilismo de competição e, para mim, não foi excepção”, afirma.

Nas provas no kartódromo, o piloto aprendeu “os fundamentos do desporto”, não apenas no que toca à condução, mas também no que respeita “aos métodos de trabalho, à comunicação com os elementos da equipa e à forma de lidar com sentimentos tão opostos como o sucesso e a derrota”.

Para além do que “oferece em termos de formação”, Rodolfo Ávila afirma que “o karting continua, ainda hoje, a ser uma das formas mais acessíveis de iniciar um percurso no automobilismo”.

Por outro lado, acrescenta, é uma modalidade que “permite perceber se faz sentido investir o enorme esforço pessoal, familiar e económico necessário para evoluir para outros patamares da competição automóvel”. Segundo Rodolfo Ávila, “qualquer piloto que se destaque no karting, dificilmente deixará de ser competitivo noutras disciplinas do desporto motorizado”.


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