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Um novo marco para a “Macau Cultural”

Revista Macau
Edição nº 108
  • A Zona C dos Novos Aterros irá acolher duas das três infra-estruturas que compõem a Zona Cultural (Foto: Cheong Kam Ka)

  • Mapa das três instalações principais da nova Zona Cultural (Foto: Direitos Reservados)

  • Museu Nacional da Cultura de Macau (Foto: Instituto Cultural)

  • Centro Internacional de Artes Performativas de Macau (Foto: Instituto Cultural)

  • Museu Internacional de Arte Contemporânea (Foto: Instituto Cultural)

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Macau prepara-se para dar um novo passo na sua afirmação como centro mundial de turismo e lazer com a criação da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados. O projecto visa transformar a cidade numa plataforma de intercâmbio entre as culturas chinesa e ocidental, através de três grandes infra-estruturas dedicadas à museologia, às artes performativas e à arte contemporânea

Texto Nelson Moura

A Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau apresenta-se como um dos mais ambiciosos projectos do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), procurando implementar a estratégia de criação de uma “Macau Cultural”.

Concebida como uma plataforma internacional de intercâmbio cultural sino-ocidental, a Zona Cultural “constitui um novo marco cultural que integra espectáculos culturais, intercâmbio cultural e artístico, turismo e lazer, assim como instalações complementares de comércio, promovendo o desenvolvimento diversificado da economia e o crescimento sustentável e de alta qualidade de Macau”, referiu, em Novembro, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, no seu discurso de apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026.

O projecto apresentado pelo Governo da RAEM assenta em três infra-estruturas culturais principais, cada uma com funções nucleares e complementares próprias, mas interligadas de forma a constituir um ecossistema coerente de museologia, artes performativas e arte contemporânea. A implantação territorial combina duas áreas adjacentes que oferecem vantagens funcionais e paisagísticas: o terreno marginal a leste da Torre de Macau e a Zona C dos Novos Aterros, onde se estabelece a articulação entre os vários espaços.

Através da utilização de duas parcelas nas duas margens, serão construídas três instalações culturais de grande dimensão: o Museu Nacional da Cultura de Macau, o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

Segundo O Lam, será feito um esforço para criar “instalações culturais com influência internacional, emblemáticas e de alto padrão”. Estas infra-estruturas, adiantou, permitirão também criar “um novo motor para a diversificação adequada da economia, novas oportunidades de emprego para os residentes e um novo marco cultural para as actividades culturais”.

A governante disse ainda que, através do planeamento e construção da Zona Cultural, Macau irá alinhar-se “proactivamente com a estratégia do Estado sobre o desenvolvimento cultural”, promovendo o cartão de visita da imagem de Macau como “Cidade de Cultura da Ásia Oriental”, construindo uma Macau cultural mais aberta, inclusiva e cativante.

Mapa das três instalações principais da nova Zona Cultural (Foto: Direitos Reservados)
Mapa das três instalações principais da nova Zona Cultural (Foto: Direitos Reservados)

De acordo com o documento de apresentação do conceito do projecto, a Zona Cultural será um complexo cultural internacional que acolherá “exposições e conferências académicas de nível nacional, bem como eventos internacionais de exibição cultural, de forma a mostrar os frutos diversificados da cultura chinesa e da arte contemporânea”.

Nesse sentido, o Instituto de Investigação Turística da China foi encarregue de proceder ao planeamento e estudo preliminar relativo à construção da Zona Cultural, tendo recolhido e auscultado amplamente opiniões de vários sectores da sociedade, nomeadamente a localização, a construção e a operação, a concepção do espaço e as suas funções.

Valorizar a diferença

De acordo com o calendário apresentado pelo Governo da RAEM, está previsto iniciar-se durante o corrente ano os trabalhos relacionados com a Zona Cultural, em particular a concepção arquitectónica do Museu Nacional da Cultura de Macau.

Segundo o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, prevê-se que, no decorrer deste ano, seja aberto o concurso público para o projecto conceptual da Zona Cultural. O Governo espera que a iniciativa possa elevar o nível da diversificação cultural e da internacionalização de Macau, construir uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre a cultura chinesa e a ocidental, atrair mais turistas para Macau e impulsionar o desenvolvimento integral da economia de Macau, frisou Sam Hou Fai em Novembro.

Já no início de Setembro, o Chefe do Executivo tinha indicado que o Governo da RAEM estava empenhado em enriquecer, constantemente, os elementos de Macau como um centro mundial de turismo e lazer, acelerando o desenvolvimento da indústria cultural para impulsionar a criação da “Cidade Cultural”, no sentido de pôr em prática o espírito consagrado nos discursos do Presidente Xi Jinping sobre a construção de Macau como uma plataforma para a abertura ao exterior de padrão mais elevado.

Num encontro com o ministro da Cultura e Turismo, Sun Yeli, Sam Hou Fai frisou que, com o posicionamento da RAEM como “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base” e as vantagens do ponto de encontro das culturas chinesa e ocidental, Macau deve promover a prosperidade das indústrias culturais e turísticas através de meios diversificados, a fim de apresentar melhor a cidade ao mundo e difundir a excelência da cultura chinesa, através do intercâmbio internacional entre as pessoas.

Sam Hou Fai mostrou-se confiante de que, com o apoio do Ministério da Cultura e Turismo, Macau poderá reforçar a sua vantagem competitiva na área do turismo cultural, integrar-se melhor nas estratégias de desenvolvimento nacional e contribuir de forma mais aprofundada para a “abertura de alto padrão do País e a construção de uma nação forte a nível cultural”.

De acordo com o documento de apresentação do projecto, no seu conjunto, as três infra-estruturas culturais criarão uma zona integrada de grande escala e forte impacto urbano. A iniciativa propõe articular património, inovação e criação contemporânea, estabelecendo as bases para que Macau se afirme como uma nova plataforma cultural de referência internacional, capaz de atrair talentos, visitantes e projectos de todo o mundo, divulgando globalmente o valor singular da herança cultural da cidade.


Museu Nacional da Cultura de Macau (Foto: Instituto Cultural)
Museu Nacional da Cultura de Macau (Foto: Instituto Cultural)

1. MUSEU NACIONAL DA CULTURA DE MACAU

O Museu Nacional da Cultura de Macau ficará instalado no terreno situado a este da Torre de Macau, beneficiando da proximidade ao Centro Histórico de Macau e de uma posição privilegiada na marginal sul da península.

O espaço museológico terá como funções principais a exposição, a colecção, a investigação, a educação social e o intercâmbio internacional, oferecendo também experiências interactivas. Dará especial destaque às relíquias históricas chinesas, às peças que ilustram o intercâmbio sino-ocidental e aos objectos culturais que caracterizam Macau, de acordo com o documento de apresentação.

Contará ainda com áreas especializadas para conservação, restauro e depósito do acervo, incluindo laboratórios e zonas técnicas concebidas para garantir a preservação patrimonial. Para além dessas funções, assumirá igualmente um papel formativo e criativo, com actividades educativas, projectos culturais e iniciativas de lazer público, reforçando a ligação entre cultura, comunidade e turismo. O museu terá também como funções a formação de talentos para as indústrias culturais e para a museologia, bem como a incubação de projectos culturais.

Nesse âmbito, está prevista a construção do maior museu da RAEM, com uma área estimada entre os 80 mil e os 100 mil metros quadrados, perspectivando-se uma “relação de cooperação a longo prazo com o Museu Nacional da China e uma colaboração alargada com instituições culturais e museológicas de referência, tanto a nível nacional como internacional”, segundo o documento de apresentação do projecto.


Centro Internacional de Artes Performativas de Macau (Foto: Instituto Cultural)
Centro Internacional de Artes Performativas de Macau (Foto: Instituto Cultural)

2. CENTRO INTERNACIONAL DE ARTES PERFORMATIVAS DE MACAU

O Centro Internacional de Artes Performativas de Macau, localizado no sector oeste da Zona C dos Novos Aterros, será um espaço dedicado às diversas artes performativas, com capacidade para acolher espectáculos de diversas dimensões, formatos e tipologias. Integrará espaços técnicos para espectáculos, salas de actuação, palcos imersivos, estúdios de ensaio e espaços de criação artística, concebidos tanto para repertórios internacionais como para projectos de artistas locais.

O centro terá também funções de formação, intercâmbio e cooperação, acolhendo programas destinados ao desenvolvimento de talentos na área das artes performativas e ao estabelecimento de redes internacionais. Além da programação artística, incluirá serviços de lazer público, áreas comerciais, actividades turísticas e programas de incubação cultural, constituindo-se como um pólo vibrante de produção e difusão artística.

De acordo com o documento de apresentação, este centro irá assumir-se como uma plataforma internacional integrada de artes performativas públicas, “vocacionado para proporcionar uma oferta rica e diversificada de programas e experiências artísticas, tanto para os residentes de Macau como para os visitantes internacionais”.

No projecto preliminar, a área de construção prevista é de aproximadamente 55 mil a 65 mil metros quadrados, com uma concepção geral que “valoriza a adaptabilidade e a diversidade e responde às exigências das actividades no campo das artes performativas, que têm múltiplas dimensões, formatos e estilos”.


Museu Internacional de Arte Contemporânea (Foto: Instituto Cultural)
Museu Internacional de Arte Contemporânea (Foto: Instituto Cultural)

3. MUSEU INTERNACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA

O Museu Internacional de Arte Contemporânea será implantado no lado leste da Zona C dos Novos Aterros, complementando o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e formando, em conjunto, um corredor cultural contínuo. Este museu dedicará a sua actividade à arte moderna e contemporânea, com enfoque no diálogo entre a criação chinesa e ocidental.

O espaço contará com espaços amplos e flexíveis para exposições, colecções, investigação, criação artística e actividades educativas, proporcionando aos residentes e visitantes experiências diversificadas e de elevada qualidade. O museu acolherá ainda programas de cooperação internacional, residências artísticas, iniciativas de incubação e serviços comerciais, posicionando Macau na rede contemporânea de arte global.

No projecto preliminar, a área de construção prevista deste espaço museológico é de aproximadamente 35 mil a 45 mil metros quadrados.

A organização geral do museu valoriza a diversidade e a abertura do espaço, permite proporcionar uma sala multiusos para jovens artistas e projectos de arte experimental, além de apoiar e divulgar grandes exposições internacionais, facilitando assim uma melhor integração de Macau na rede global de arte contemporânea.

Segundo o documento de apresentação do projecto, estão previstas parcerias de cooperação com galerias de arte e grupos de artistas, nacionais e internacionais, por forma a exibir obras relativas às artes moderna e contemporânea, bem como promover o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre a China e o Ocidente no domínio das artes. Concomitantemente, será dada atenção à criação local de arte contemporânea, “com o intuito de construir um sistema narrativo de artes moderna e contemporânea numa perspectiva intercultural”, de acordo com o documento.


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