Seja qual for a zona ou na perspectiva a nível mundial, relativamente à vigilância eficaz da saúde pública e à respectiva intervenção, a definição de caso detém um significado imprescindível.
No que concerne à síndroma respiratória aguda severa (SRAS), os Serviços de Saúde da Região Administrativa Especial de Macau após terem conhecimento em 10 de Fevereiro passado do aparecimento de casos de forte e grave transmissão, como a pneumonia atípica numas das partes de Guangdong, elaboraram de acordo com a situação ciente naquela altura, a definição quanto à vigilância de casos em Macau, ponderando o aparecimento de casos de pneumonia de forte e grave transmissão.
Devido ao surto sucessivo desta doença em Guangdong, Vietname, Hong Kong e outros, a Organização Mundial de Saúde publicou pela primeira vez a definição da SRAS, pondo em arranque a vigilância a nível mundial. Este sistema de vigilância reforçado detém um grande significado quanto à fiscalização da evolução da SRAS a nível mundial, de tal maneira que as respectivas medidas de prevenção e controle possam ser adoptadas. Assim, desde meados de Março até à presente data, os Serviços de Saúde sempre declararam, ao abrigo da definição e das orientações da Organização Mundial da Saúde os respectivos casos à mesma.
De acordo com a nova definição actualizada pela Organização Mundial de Saúde em 01 de Maio passado, trata-se de casos suspeitos, as pessoas que reúnem as três seguintes condições:
1) febre superior a 38ºC;
2) tosse ou dificuldades respiratórias;
3) contacto próximo com um caso suspeito ou caso provável da SRAS durante os dez dias antes da incidência da doença ou terem-se deslocado à área afectada. Deve-se proceder a uma avaliação mais profunda quanto ao caso suspeito.
Tratam-se de casos prováveis, aqueles que para além de serem casos suspeitos, cumulativamente reúnem uma das seguintes condições:
1) revelam sinais radiológicos infiltrados de pneumonia ou síndroma de dificuldade respiratória ( respiratory distress syndrome) na radiografia do tórax;
2) reacção positiva quanto a um tipo ou diversos tipos de teste de coronavírus da SRAS;
3) revelam mudança patológica quanto à síndroma de dificuldade respiratória ( respiratory distress syndrome), não podendo confirmar a outra razão na autópsia.
No caso do estado do doente poder ser justificado de uma forma completa por outras doenças, assim deve-se eliminar o diagnóstico de SRAS. Deste modo, os Serviços de Saúde exigem ao pessoal médico que proceda de imediato a uma avaliação mais profunda dos casos que reúnem as condições de definição de caso suspeito. Caso o estado do doente não possa ser justificado por outra doença, assim este é sujeito à admissão na zona de isolamento para observação e o caso é comunicado à Organização Mundial de Saúde. A Organização Mundial de Saúde apenas publica no web-page casos prováveis.
Por outro lado, a definição acima referenciada serviria de aplicação da vigilância a nível mundial. Os que reúnem as condições da definição, não significa que sejam absolutamente casos de SRAS. Assim, a Organização Mundial de Saúde sublinha que o tratamento faz-se com base na situação concreta do doente em si, e não depende da classificação do caso. Igualmente, com base nas situações concretas de Macau, os Serviços de Saúde, definem e concretizam as medidas preventivas e providências relativas à saúde pública local, não podendo seguir apenas a classificação de casos da O.M.S.. Dentro destas, pondera-se pela consideração que existe uma estadia diária em Macau de grande número de pessoas que vieram das áreas afectadas da SRAS. As pessoas de Macau mesmo que não se tenham deslocado àquelas áreas, porém não devemos eliminar a probabilidade de contacto directo com os casos de SRAS. Deste modo exige-se ao pessoal médico que deva proceder a uma avaliação mais profunda dos doentes que têm febre e não têm uma história de viagem, por forma a eliminar o diagnóstico da SRAS. Caso o doente apresente sinais radiológicos coincidentes com a síndroma de dificuldade respiratória (respiratory distress syndrome), que sejam injustificáveis por outras doenças, ou o resultado do teste do coronavírus da SRAS seja de reacção positiva, ou as pessoas que têm contacto próximo estejam afectadas, mesmo que não tendo história de viagem ou história de contactos próximos, também são considerados casos prováveis.