Tendo em conta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou a epidemia do vírus Ébola em algumas regiões da África como uma "Emergência de Saúde Pública de Importância de Interesse Internacional", os Serviços de Saúde têm acompanhado de perto a evolução da epidemia. Com o propósito de consolidar a barreira antiepidémica nos postos fronteiriços, e de reforçar a sensibilização e a capacidade de resposta ao vírus Ébola por parte dos trabalhadores desses postos, os Serviços de Saúde organizaram, no dia 20 de Maio, uma “sessão de esclarecimento sobre a prevenção e o controlo da doença do vírus Ébola”, que contou com a presença de representantes dos Serviços de Alfândega, do Corpo de Polícia de Segurança Pública, do Corpo de Bombeiros e da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau num total de 52 pessoas, entre pessoal de gestão de nível intermédio e pessoal principal da linha da frente.
Durante a sessão de esclarecimento, os representantes dos Serviços de Saúde indicaram que, apesar da distância geográfica entre as regiões epidémicas e Macau, no entanto, o transporte internacional é conveniente e a circulação de pessoas é frequente. Além disso, a taxa de mortalidade do vírus Ébola é elevada e existe o risco de transmissão transfronteiriça. Neste contexto, o posto fronteiriço constitui uma ligação ao exterior, pelo que é importante que o respectivo pessoal da linha da frente tenha capacidade de identificação e resposta. Durante a sessão, foram detalhadas as características, as vias de transmissão e os sintomas clínicos do vírus Ébola, bem como os meios de identificação de casos suspeitos da doença e de encaminhamento. Foram também abordados os pontos-chave para a protecção individual, de modo a reforçar a capacidade de resposta e a assegurar que os diversos serviços nos postos fronteiriços sejam capazes de activar, de forma pronta, um plano de resposta de emergência, realizar a triagem, efectuar a comunicação e prestar assistência no encaminhamento de forma pronta, caso se verifique um surto de casos suspeitos. Os participantes discutiram proactivamente várias circunstâncias possíveis. Todos manifestaram concordância com as medidas interdepartamentais de prevenção e controlo em vigor e afirmaram que, iriam participar e implementar conjuntamente as respectivas acções, de modo a salvaguardar a primeira linha de prevenção epidémica nos postos fronteiriços.
A doença do vírus Ébola é uma doença aguda, grave e de origem viral, com um período de incubação que varia entre os dois (2) e os 21 dias. Os sintomas manifestam-se muito rapidamente e incluem febre, fraqueza extrema, dores musculares, dores de cabeça e dores de garganta, posteriormente ocorre vómitos, diarreia, erupção cutânea, disfunção hepática e renal. Nos casos mais graves, podem ocorrer hemorragias interna e externa, podendo levar à morte. Alguns morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do referido vírus. Os chimpanzés, os gorilas, os macacos, os antílopes da floresta e os porcos-espinhos, entre outros animais também podem ser portadores deste vírus. O vírus Ébola pode ser transmitido por contacto directo com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais ou doentes infectados, bem como por exposição indirecta ao ambiente contaminado. Além disso, o contacto directo com o cadáver durante a cerimónia fúnebre pode causar infecção. Nas regiões afectadas, o pessoal médico e de enfermagem está susceptível de ser infectado ao entrar em contacto próximo com os doentes, caso não sejam cumpridas estritamente as medidas de controlo de infecção.
Os Serviços de Saúde recomendam aos residentes que, antes de se deslocarem para regiões epidémicas, efectuem uma avaliação prudente e uma preparação adequada. Durante a permanência nessas regiões, devem prestar atenção à higiene pessoal e ambiental, cumprir concretamente os procedimentos de lavagem das mãos; evitar o contacto com animais e suas carcaças, não consumir carne de animal selvagem mal cozinhada, lavar e descascar bem os frutos antes de os consumir, evitar dirigir-se a hospitais ou aos domicílios dos doentes, a não ser que seja estritamente necessário, bem como manter-se afastados de doentes, do seu sangue, dos seus fluidos corporais ou de objectos possivelmente contaminados. Em caso de contacto imprudente, devem lavar as mãos imediatamente e consultar um médico, se necessário. As pessoas que visitarem as regiões afectadas pelo vírus Ébola e manifestarem sintomas como febre, diarreia, vómitos, erupção cutânea ou hemorragia, no prazo de 21 dias após o regresso a Macau, devem recorrer a um médico e informá-lo da sua história de viagem.